Agroecologia em Foco: O Caminho para a Soberania Alimentar em Moçambique
O sistema alimentar global enfrenta um ponto de rutura, e as consequências são sentidas, de forma mais aguda, em países como Moçambique. Entre crises climáticas, desafios económicos e a vulnerabilidade do modelo industrial vigente, a pergunta que fica é: será a fome uma fatalidade ou uma escolha de sistema?
Este é o debate central que coloca Moçambique no epicentro da discussão científica mundial durante o XI Congresso Internacional de Agroecologia, que decorre na província de Gaza.
A Crítica ao Modelo Atual
Durante a abertura do evento, o secretário de Estado do Ensino Superior, Edson Macuácua, foi assertivo: a fome não deve ser encarada como um fenómeno natural ou inevitável. Segundo o governante, a insegurança alimentar que assola milhões é o resultado direto de um sistema alimentar industrial extrativista, desenhado para privilegiar o lucro imediato em detrimento da sustentabilidade e das comunidades rurais.
O Desafio da Água: Entre a Escassez e o Excesso
Moçambique vive, frequentemente, no extremo. Como destacou Mário Tauzene, Diretor-Geral do Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG), a província de Gaza ilustra bem esta dualidade: ora sofre com a escassez de água, ora enfrenta a destruição pelo excesso. O desafio, portanto, não é apenas produzir, mas "domesticar, armazenar e utilizar a água" de forma inteligente e resiliente.
A Agroecologia como Solução Estrutural
O congresso, que reúne mais de 200 participantes de dez países, defende que a mudança passa pela agroecologia. Não se trata apenas de uma técnica agrícola, mas de uma filosofia que:
Valoriza os recursos naturais locais em vez da dependência externa.
Elimina o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, promovendo solos mais saudáveis.
Fortalece a autonomia das comunidades, garantindo que a produção sirva, prioritariamente, quem a cultiva.
Um Futuro Possível
Especialistas internacionais, como Xavier Fernandez (Universidade de Vigo) e Emma Siliprandi (Universidade da Andaluzia), deixaram uma mensagem de otimismo: Moçambique possui condições, capital natural e vantagens comparativas suficientes para alcançar a soberania alimentar. O passo seguinte, contudo, exige coragem política e uma aposta firme na ciência e na prática agroecológica.
Este evento é mais do que uma conferência académica; é um chamado à ação. Ao colocar a investigação científica ao serviço da resiliência climática e da produção sustentável, Moçambique reafirma o seu compromisso em romper com a dependência e garantir que o prato de cada moçambicano seja fruto da sua própria terra e do seu próprio trabalho.
O que pensa sobre a transição para métodos de cultivo mais sustentáveis em Moçambique? Partilhe a sua opinião nos comentários abaixo.
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